sexta-feira, 14 de junho de 2013

galeria VIII

I. niilismo

nada
ninguém

e
a palavra a verter sentidos

fotografia de eurico portugal



II. sim.tu.[nia] 
* para a dani carrara

sinto.

sim. tu.

fotografia de eurico portugal



III. melancolia
* para a andy

melancolia:

fogo roubado à espera
de voltar a arder.

fotografia de eurico portugal



IV. ode aos lábios vermelhos

lábios e sangue no pescoço
em viagem vertical
para pequenas mortes de amar
mais do que posso
menos do que preciso

fotografia de eurico portugal

21 comentários:

  1. Respostas
    1. pequenas brevidades: sempre depois da ebulição do tempo.

      abraço, assis!

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  2. Rápido no gatilho...

    Beijo, poeta de peso!

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    1. assim mesmo, à queima roupa, sem chance de comiseração: a pele que robusteça.

      beijos para ti, cris-tal!

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  3. Querido Eurico,
    maravilha!

    I.
    "A vida é o grande livro de escrever nada."
    (fala da minha flor-Luíse, então com 5 anos, parodiando o ursinho Pooh :))

    II.
    sentes.
    sem. tez.

    III.
    Saudades dessa melancolia...
    Para ti:
    http://www.youtube.com/watch?v=FwTaOCEDixs

    IV.
    "E de te amar assim, muito e amiúde
    É que um dia em teu corpo de repente
    Hei de morrer de amar mais do que pude."
    (fragmento - soneto do Amor Total - Vinícius de Moraes).

    Tri-beijos!

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    1. aninha,
      sempre leituras que vão além das palavras.

      1. a vida que, por nada ser, tudo permite - mesmo o que nos parece (in)verosímil ou (im)possível.

      2. sem tez sobre sentires: o que nos percorre subcutaneamente não tem cor; está lá todo o arco-íris.

      3. heaven knows i'm miserable now: toda a ferida é planta que cresce.

      4. permissões e precisões: a arte de dizer silêncios...

      polibeijos!

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  4. a palavra a ver e ter sentido...

    beijo, poeta querido!

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    1. tantas as palavras que lemos e ainda mais as que nos leem: sentidos tidos, vestidos, transvestidos, por fim vertidos.

      beijos, jô!

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  5. Pequenas mortes de amar: eu as sei! Beijos, poeta querido!

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  6. Tudo se nega, tudo se esvai...
    algo sobrevive - o verbo...
    que nega o nada.

    Beijinho, Eurico!

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    1. a negação de tudo na plena certeza da existência: negar tudo é ser, porque o verbo acende candeias até na mais densa escuridão.

      beijos, alcina!

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  7. Sempre a necessidade de ir mais longe, o desejo do transcendente de transpor o intransponível...de vencer o amor e por ele ser derrotado!

    Beijinho, Eurico!

    (sempre um renovado prazer ler-te)

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    1. o amor: as justas e os torneios a que nenhum de nós se exime: até porque esse querer ir mais longe torna o horizonte apenas tangível pelo olhar de dentro...

      beijinho, querida amiga!

      (um prazer ter-te aqui a partilhar transcendências)

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  8. querido amigo, muito obrigada por esta dedicatória, digo-te de coração, é linda! e o quanto me diz esta tua melancolia... agora minha :-)! guardo-a com o maior carinho e emoção, como todos os momentos da nossa amizade.
    adorei também o misticismo da fotografia, facilmente se entra na atmosfera, e se entrega as linhas da mão com todos os silêncios nas entrelinhas...

    Abraço, doce amigo.
    p.s. passa no lua, falo-te da "minha árvore"

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    1. não sei se te recordas de quando surgiu esta "melancolia": num pinguepongue de palavras num post lá na tua lua.

      já regressei à tua árvore dos sonhos e à história que a plantou; o olhares espera por ti :)

      beijinho!

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    2. Lembrava-me sim, perfeitamente. Na altura referi-me às tuas palavras como verdadeiros incêndios :-)

      Beijinho, amigo!

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  9. cada vez que sinto
    [algo de humano nesse sistema
    recriável
    paupável
    elaborado que minhas mãos concentram sobre
    a lista de sentidos possíveis]

    as palavras se evaporam.

    :)

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    1. as palavras em estado gasoso: far-se-ão necessárias em alguma circunstância do sentir?

      abraço, dani!

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    2. quando orvalho no céu da boca

      [necessário é o tempo
      como fruto que maduro
      se desprende
      pra dispersar na língua...]

      amo aqui. obrigada!

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    3. do orvalho no céu da boca:
      e es-corre, alimenta, sacia-se e mirra:

      "ouvia a cada nó de sílaba
      um silêncio de morte" - h. helder

      beijos, dani!

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